
dor no quadril
O quadril é uma articulação profunda, cercada por músculos, tendões e nervos, e cada uma dessas estruturas dói num lugar diferente. Por isso, o ponto exato da dor no quadril é a primeira informação que eu uso para chegar ao diagnóstico, antes de qualquer exame de imagem. Dor na virilha, dor na lateral e dor na nádega apontam para causas distintas, com tratamentos distintos.
No post de hoje, quero ajudar você a reconhecer os sinais de cada região e entender o que eles costumam indicar. Saber descrever com precisão onde e como dói já encurta o caminho até o tratamento certo.
Muita gente aponta para a lateral da cintura quando fala em quadril. Mas a articulação em si fica mais para dentro e mais para baixo do que se imagina: é o encaixe entre a cabeça do fêmur, que tem formato de bola, e o acetábulo, que é a cavidade da bacia onde essa bola se encaixa. Esse encaixe fica bem próximo da virilha. Por isso, quando o problema está dentro da articulação, a dor costuma aparecer na frente.
Ao redor dessa articulação existem os músculos glúteos, os tendões que se prendem no osso lateral do fêmur, chamado trocânter, e os nervos que descem da coluna lombar em direção à perna. Cada um desses vizinhos pode doer, e cada um dói em um lugar característico.
Quando a dor aparece na virilha, na dobra entre o abdômen e a coxa, e principalmente quando ela piora ao caminhar, ao subir escadas ou ao ficar muito tempo sentado, eu começo a pensar em problemas dentro da própria articulação. As causas mais comuns são a artrose do quadril, o impacto femoroacetabular, as lesões do labrum (uma cartilagem em formato de anel que reveste a borda do acetábulo) e, mais raramente, a necrose da cabeça do fêmur.
Um detalhe que ajuda a confirmar: a dor de dentro da articulação muitas vezes irradia para a parte da frente da coxa e pode chegar até o joelho. Já atendi pacientes que passaram meses investigando o joelho quando a origem do problema estava no quadril.
Outro sinal típico é a dificuldade para calçar sapatos, cortar as unhas dos pés ou entrar e sair do carro. São movimentos que exigem rotação da articulação, e é justamente a rotação que fica limitada quando a cartilagem começa a se desgastar.
A queixa de dor na lateral do quadril, bem em cima daquele osso que a gente sente ao apertar o lado da coxa, é muito frequente. E ela costuma assustar, porque a pessoa imagina que está com o quadril desgastado. Na maior parte dos casos, não está. O que dói ali são os tendões do glúteo médio e do glúteo mínimo, que se prendem no trocânter, e a bursa, uma pequena bolsa que fica entre o osso e o tendão.
O padrão é bem reconhecível: a dor piora ao deitar sobre aquele lado, incomoda para subir e descer escadas, aparece depois de ficar muito tempo em pé e às vezes queima. Chamamos isso de síndrome da dor trocantérica, que engloba a bursite e a tendinite do glúteo médio. É um problema de sobrecarga, tem tratamento e, na grande maioria das vezes, não precisa de cirurgia. Mas precisa de diagnóstico correto, porque o tratamento é diferente do tratamento da artrose.
Quando a dor é na nádega, na parte de trás, e principalmente quando desce pela parte posterior da coxa em direção à panturrilha, a primeira coisa que investigo é a coluna lombar. Uma hérnia de disco ou um estreitamento do canal por onde passam os nervos pode comprimir a raiz nervosa e provocar dor exatamente nessa região, além de formigamento, dormência e sensação de choque.
Também existem causas locais, como a síndrome do piriforme, em que um músculo profundo da nádega irrita o nervo ciático, e a disfunção da articulação sacroilíaca, que fica entre a bacia e a base da coluna. Por isso, quando a dor é posterior, o exame físico precisa olhar o quadril e a coluna ao mesmo tempo. Tratar o lugar errado é a razão de tanta gente conviver com dor por anos.
É comum e costuma ter uma explicação simples. Um quadril com artrose muda o jeito de a pessoa andar, e essa mudança sobrecarrega os músculos laterais e a coluna. Então a dor da articulação, na virilha, vem acompanhada de dor lateral e de dor lombar. Nesses casos, eu preciso identificar qual é a dor principal, a que originou as outras, e tratar a partir dela. Aliviar só a dor secundária resolve por algumas semanas e depois tudo volta.
Depois de ouvir onde dói e como a dor se comporta, eu examino. Testo a rotação do quadril, a força dos glúteos, a sensibilidade sobre o trocânter e alguns movimentos específicos que reproduzem a dor de cada estrutura. Só depois disso peço exames. Uma radiografia simples, feita em pé, já mostra bastante sobre a articulação. A ressonância entra quando preciso avaliar tendões, o labrum ou a cartilagem com mais detalhe. O exame confirma o que o exame físico já apontou.
Dor que persiste por mais de três ou quatro semanas, que está piorando, que limita a caminhada ou o sono, ou que já dificulta calçar meias e sapatos. Quanto mais cedo a causa é identificada, mais opções de tratamento existem, e muitas delas ficam longe do centro cirúrgico.
Se você sente dor no quadril e ainda não sabe de onde ela vem, agende uma avaliação comigo. Vamos descobrir juntos a origem e o melhor caminho para você voltar a se mover sem dor.
Ortopedista e especialista em cirurgia do quadril | CRM/RS 27.196 | RQE 17.735
Rua 24 de Outubro, 1440, sala 1004, Independência, Porto Alegre, RS
YouTube: Entendendo Quadril | Instagram: @entendendo_quadril
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