
Artroplastia de quadril é a cirurgia que reconstrói a articulação do quadril, substituindo as superfícies desgastadas por uma prótese. O nome vem do grego: “artro” é articulação e “plastia” é reconstrução. É o que se conhece popularmente como prótese de quadril. No post de hoje, quero ajudar você a entender o que é essa cirurgia, quem se beneficia dela, quais são os tipos e, principalmente, como é a recuperação semana a semana.

O quadril funciona como uma bola dentro de uma taça: a cabeça do fêmur gira dentro do acetábulo, que fica na bacia. Quando a cartilagem que reveste essas duas superfícies se desgasta, o osso passa a atritar com osso, e vem a dor e a rigidez. Na artroplastia total, eu substituo as duas superfícies.
No lado da bacia, coloco uma cúpula de metal com um revestimento interno liso, de polietileno de alta resistência ou de cerâmica. No lado do fêmur, uma haste metálica que recebe uma nova cabeça, de cerâmica ou de metal. O conjunto reproduz o movimento natural sem o atrito doloroso.
A artroplastia total é a mais comum e é a que fazemos na artrose, na necrose e na maioria das causas de desgaste. A artroplastia parcial substitui apenas a cabeça do fêmur, mantendo o acetábulo original, e é usada principalmente em fraturas do colo do fêmur em pacientes idosos, em que a bacia está preservada e a prioridade é uma cirurgia mais rápida.
A artroplastia de revisão é a troca de uma prótese já existente, quando ela se solta, desgasta ou apresenta alguma complicação ao longo dos anos.
Em consulta, a indicação nasce de uma combinação: uma articulação com dano estrutural comprovado no exame de imagem, dor e limitação que comprometem a rotina, e falha do tratamento conservador.
Se um paciente tem artrose na radiografia mas caminha bem, dorme bem e mantém suas atividades, eu não indico cirurgia. Se outro tem dificuldade para calçar um sapato, acorda com dor, reduziu sua vida social e já fez fisioterapia e medicação sem resposta, a artroplastia passa a ser a melhor opção para devolver qualidade de vida.
A idade, por si só, não é critério. Opero pacientes de 40 anos com necrose ou sequela de displasia e pacientes de 85 anos com boa saúde geral. O que avalio é a condição clínica e o quanto a dor está custando.
Uma dúvida frequente é sobre a forma de fixação da prótese. Na prótese não cimentada, a superfície dos componentes é porosa e o próprio osso cresce para dentro dela ao longo de semanas, fixando a prótese de forma biológica. É a escolha mais comum em pacientes com osso de boa qualidade.
Na prótese cimentada, um cimento ósseo preenche o espaço entre o osso e o implante e fixa imediatamente, o que é vantajoso em ossos mais frágeis. Também existe a forma híbrida, com um componente cimentado e outro não. A escolha é feita durante o planejamento, considerando idade, qualidade óssea e anatomia de cada paciente.
Neste vídeo, mostro na prática a diferença entre a prótese cimentada e a não cimentada na artroplastia de quadril:
Primeiros dias: ainda no hospital, o paciente senta e dá os primeiros passos com andador entre o mesmo dia e o dia seguinte à cirurgia. A dor é controlada com medicação. A alta costuma acontecer entre o segundo e o terceiro dia.
Semanas 1 e 2: em casa, com caminhadas curtas e frequentes, exercícios leves orientados pela fisioterapia, cuidados com o curativo e medicação para prevenir trombose. O inchaço na coxa e na perna é esperado e vai reduzindo. Dormir de barriga para cima ou sobre o lado não operado, com travesseiro entre as pernas.
Semanas 3 a 6: a maioria abandona o andador ou muletas. A fisioterapia intensifica o fortalecimento. A maioria dos pacientes são liberados para dirigir nesse período, e o retorno ao trabalho de escritório costuma acontecer por volta da sexta semana. Sempre que possível indico bicicleta ergométrica ou musculação a partir da 3ª ou 4ª semana.
De 6 semanas a 3 meses: caminhada livre, sem dor e sem mancar. Retorno progressivo às atividades físicas, como bicicleta, natação e progressão na musculação orientada. É quando a maior parte dos pacientes me diz que se sente melhor do que antes da cirurgia.
De 3 meses a 1 ano: recuperação completa da força muscular e da confiança. Retorno a atividades mais exigentes, sempre conversado caso a caso. O acompanhamento com radiografias continua ao longo dos anos, mesmo sem sintomas, para verificar a posição e a integração da prótese.
Nas primeiras semanas, evitar cruzar as pernas, evitar cadeiras muito baixas e evitar dobrar o quadril além de 90 graus são orientações que reduzem o risco de a prótese sair do lugar. Manter o peso controlado protege o implante no longo prazo.
E seguir o programa de fortalecimento é o que transforma uma boa cirurgia num bom resultado. A prótese devolve a articulação; os músculos devolvem o movimento.
A artroplastia de quadril é considerada uma das cirurgias de maior sucesso da medicina. Um estudo publicado no The Lancet em 2026, analisando quase dois milhões de casos, mostrou que 96 a 97% das próteses modernas continuam funcionando após 10 anos e cerca de 92% após 30 anos. Isso significa que, para a maioria das pessoas, a prótese acompanha o resto da vida sem necessidade de troca.
Quer entender se a artroplastia é indicada para o seu caso? Agende uma avaliação. Vou analisar seus exames, explicar cada etapa e responder todas as suas perguntas.
Dr. Cristiano Diesel
Ortopedista e especialista em cirurgia do quadril | CRM/RS 27.196 | RQE 17.735
Rua 24 de Outubro, 1440, sala 1004, Independência, Porto Alegre, RS
YouTube: Entendendo Quadril | Instagram: @entendendo_quadril
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